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Coisa finis


Punk rock, cabaret e pantomina

by Cabral

Piano, bateria, vocal e muita maquiagem. Esta é a improvável mistura do "Dresden Dolls", banda de Boston, Estados Unidos. Formada por Amanda Palmer (pianista/vocalista) e Brian Viglione (baterista), até agora só lançaram um disco: "The Dresden Dolls", de 2004. Se tivesse guitarra poderia figurar como mais um dos ótimos grupos alternativos formados por duplas - como "White Stripes", "Kills" e "Raveonettes". Mas não precisa, o som deles injeta sofisticação e originalidade à mesmice do cenário alternativo - salvo as raras exceções citadas. A levada é punk, mas com elementos de jazz e cabaret - este último a maior influência, tanto no som quanto no visual.

Mas o visual é o que primeiro chama a atenção, com figurinos teatrais inspirados nos cabarés do começo do século 20. Ela sempre vestida como uma dançarina de can can dos anos 30 - com direito a saias e insinuantes espartilhos - e ele como um daqueles mímicos de rua, incluindo maquiagem branca no rosto e chapéu coco. As referências visuais vão desde o cinema, dos filmes "Cabaret", estrelado por Liza Minelli, e "Anjo Azul", com Marlene Dietrich, passando pelo teatro musical dos alemães Kurt Weill e Brecht, e até mesmo do tradicional circo de rua e suas pantominas. Quanto ao som, belas melodias são arrancadas do piano massacrado pelos dedos nervosos de Amanda e pela bateria primitivista de Brian. O agradável vocal dela impressiona pela versatilidade - ora susurrando sensualmente como uma cantora de jazz, ora gritando como uma autêntica punk girl.

O único disco deles até agora é uma pérola, com belas composições como a nervosa "Girl Anachronism"; a autêntica representante cabaret "Missed me" e a singela "Coin-operated boy". Mas o teatro é mesmo a maior influência do "Dresden Dolls", verificada nos bem produzidos clipes e na performance exagerada dos shows - com as caras e bocas de Brian e a irriquieta Amanda abrindo e fechando as pernas ao piano. Tudo isso pode ser conferido no ótimo site oficial da banda (www.dresdendolls.com) , que contém um extenso acervo de vídeos, áudio e fotos. Se você procura música original e de qualidade, que não se renda ao convencionalismo, vale a pena conhecê-los! É uma banda para ver, ouvir e se deliciar.



Escrito por Cabral às 14h05
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Feios, Sujos e não tão malvados assim

By Cabral

Meus ouvidos estão captando neste exato momento uma das minhas ótimas supresas dos últimos anos. O "Kills", banda composta basicamente pelo guitarrista Jamie Hince e pela vocalista Alisson Mosshart (foto), que usam os estranhos mas bacanas pseudônimos de "Hotel" e "VV". Vai saber a razão dos nomes, mas que é cool isto é - como a música deles, para poucos e privilegiados apreciadores dos bons sons... Mas não se engane, esse casal faz uma barulheira de primeira com apenas vocal, guitarra e uma bateria eletrônica. Trata-se de uma banda intercontinental, formada em 2001 - ela de Nova York, ele de Londres. O primeiro disco, "Keep on Your Mean Side", saiu em 2003. No ano passado chegou o segundo e mais recente, "No Wow" - coisa finis também! Eles estiveram aqui no Brasil em 2005, no festival "Campari Rock" de São Paulo. Não pude conferi-los, mas ouvi falar que quem esteve lá não saiu decepcionado com a performance deles e a beleza rara da vocalista - uma reencarnação morena da Nico - modelo, atriz e vocalista do clássico "Velvet Underground & Nico, de 67.

Numa primeira escutada, percebe-se que eles beberam em inúmeras fontes: no próprio "Velvet Underground" dos anos 60, passando por "Jesus & Mary Chain" nos 90, e até coisas mais recentes como "Yeah Yeah Yeahs" e "Raveonettes" (outras ótimas bandas, que comento mais pra frente...). "Kills" é cru, sujo e até minimalista (básico, digamos assim). A bela e ao mesmo tempo selvagem voz de VV se completa com a guitarra distorcida e sem floreios de Hotel, formando belas melodias com uma levada blues e pitadas de rock ' n roll básico. O som que eles fazem é uma paulada com um toque de lirismo, desde as pedradas "Cat Claw", "Fried my Litle Brains" e "Fuck the People", passando pela balada a la Velvet "Kissy Kissy", e até na mais conhecida e dançante "The Good Ones". Vale parar pra prestar atenção!



Escrito por Cabral às 20h43
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Acabo de assistir ao tão comentado e elogiado filme "Sin City - A Cidade do Pecado", baseado fielmente na série em quadrinhos de mesmo nome, do consagrado Frank Miller - responsável, entre outras obras-primas, por "Cavaleiro das Trevas", a graphic novel responsável pelo renascimento do personagem Batman. Já tinha ótimas expectativas, pois além de ser dirigido pelo competente Robert Rodriguez - que estreou no cinema com o cult "El Mariachi" e ficou conhecido pelo divertidíssimo "Um Drink no Inferno" - tem co-direção do próprio Miller e de ninguém mais ninguém menos que o "padrinho" de Rodriguez em Hollywood, Quentin Tarantino - este, por sua vez, dispensa apresentações. São três histórias paralelas, ambientadas na corrupta e decadente Sin City com seus policiais desonestos, mulheres sedutoras e sanguinários bandidos. Além da ótima e estonteante Jéssica Alba, traz ainda um elenco estelar: Bruce Willis, Mickey Rourke, Rutger Hauer, Benicio Del Toro, Clive Owen, Michael Clarke Duncan, Elijah Wood, entre outros.

O filme tem todo aquele clima "noir" dos antigos policiais de Hollywood, igualmente com seus personagens ambíguos, mulheres fatais e becos sinistros. Porém, o que mais chama atenção é o visual, fiel aos quadrinhos de "Sin City": foi feito quase totalmente em preto e branco, inserido e trabalhado por computador após as filmagens, com alguns detalhes em cores - principalmente o vermelho. Apesar de encaixada dentro do contexto, a violência é exagerada, mas conduzida com maestria por Rodriguez. Os personagens caricatos, a ação frenética e as cenas que beiram ao absurdo, tudo remete aos quadrinhos.

 Os personagens são uma atração à parte. Os homens são duros, cruéis e despidos de caráter. As mulheres, lânguidas e sensuais, mas fatais. Fica complicado diferenciar bandidos de mocinhos no filme, pois todos resolvem seus problemas com violência extrema e crueldade exagerada. Os destaques ficam por conta da atuação de Mickey Rourke, que compõe com maestria um duríssimo brutamontes sem compaixão alguma com seus inimigos; do esplêndido Benicio Del Toro, que parece em transe na sua atuação impressionante; além do Bruce Willis, que interpreta o único personagem com um mínimo de compaixão. Menção honrosa para o "eterno Frodo" Elijah Wood que, sem dizer uma palavra, cria um dos personagens mais aterrorizantes do cinema.

Enfim, não é pra crianças. Os fãs da graphic novel "Sin City" vão se deleitar, principalmente pela fidelidade aos quadrinhos. Quem não está acostumado, pode achar exagerado. Mas quem gosta de cinema de qualidade, pode ver sem medo um dos filmes mais originais dos últimos tempos e que já pode ser chamado de clássico.



Escrito por Cabral às 23h52
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ANNABEL LEE - Edgar Allan Poe, traduzido por Fernando Pessoa


 


Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar. 

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor -
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar. 

E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar. 

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar. 

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar. 

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.



Escrito por Cabral às 14h21
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Revi pela enésima vez aquele que considero um dos melhores filmes de guerra já feitos - ao lado de “Platoon”, de Oliver Stone e “Nascido para Matar”, de Stanley Kubrick. Trata-se de “Apocalipse Now”, dirigido por Francis Ford Copolla e estrelado por Martin Sheen e Marlon Brando, além de contar com participação especial de Robert Duvall. Não é um simples filme de guerra, mas um delírio visual do criador das obras-primas “Poderoso Chefão I, II e III” (sim, considero a terceira parte da trilogia um grande filme apesar das críticas desfavoráveis...) e o “Selvagem da motocicleta”.

 

Baseado no livro “Coração das Trevas”, do Conrad, o filme conta a epopéia do Capitão Benjamin L. Willard, vivido por Martin Sheen, durante a guerra do Vietnã. Em uma missão confidencial, ele atravessa o país asiático em meio ao conflito na busca do emblemático personagem vivido por Marlon Brando, o Coronel Kurtz, um oficial do exército desertor que formou um exército de fanáticos e se embrenhou nas selvas do Camboja. Originalmente, o filme tinha 148 minutos. Recentemente saiu a versão do diretor, “Apocalipse Now Redux”, com 49 minutos a mais e a qual vou me ater a analisar.

 

Diferente dos demais filmes de guerra, que exploram ora o lado humano dos soldados ora o conflito em si, “Apocalipse Now” surpreende pelo impacto das cenas - que beiram ao surrealismo. Afinal, qual outra película mostraria soldados surfando ondas gigantescas em meio a ataques aéreos, um ataque de helicópteros ao som de “Cavalgada das Valquírias de Wagner, ou até mesmo um show de coelhinhas da Playboy no meio da selva vietnamita! As tomadas são um espetáculo a parte, com destaque para a delirante abertura de helicópteros ao por do sol e o final apoteótico, ambas ao som de The Doors.

 

A atuação de Marlon Brando, que aparece pouco mais de meia hora ao longo de mais de três horas do filme, é uma das mais impactantes já vistas no cinema. O rosto dele quase não aparece por inteiro, sempre em meio a um intrincado jogo de luz e sombras. Mas olhar do Coronel Kurtz vivido por Brando parece trespassar a tela e desafiar o espectador. Sua voz rouca e sinistra proporciona um gélido calafrio na espinha de quem a ouve. Já Martin Sheen mantém durante todo o filme um ar de melancolia e impassibilidade impressionantes. Destaque para os poucos mas inesquecíveis minutos da brilhante atuação de Robert Duvall, no papel de um fascinante e carismático coronel louco. Enfim, uma aula de cinema proporcionada por este mestre da sétima arte chamado Francis Ford Copolla.

 

 

                                 



Escrito por Cabral às 15h03
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Olha só com quem a sortuda da minha amiga Fabiana conseguiu tirar uma foto: ninguém mais ninguém menos do que a lenda viva Iggy Pop! Foi durante a passagem dele por São Paulo, para o show com os Stooges no "Claro Que é Rock". Olha só a pinta do camarada, nem parece aquela fera que assusta todo mundo... Ela conversou com o cara, e disse ainda que ele é muito gente boa, uma simpatia. Valeu Fabi, só você mesmo com seus esquemas "backstage"...hehehe

 



Escrito por Cabral às 20h48
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Ufa! Ainda estou embasbacado, atordoado, torpedeado com o show do Iggy & Stooges no "Claro que é Rock" de sábado. Foi muito mais do que eu esperava: só os classicões, performance inesquecível do "Iguana", som de primeira... Foi uma aula pra muita gente que acha que se apresentar em cima de um palco é fazer pose e caras e bocas... Depois de Iggy & Stooges, o resto é resto, não sobrou ninguém pra contar história... Mais pra frente eu escrevo com mais calma, deixa eu me recompor do impacto...

Foto (Alexandre Schneider/UOL)



Escrito por Cabral às 00h44
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"No fun, my babe, no fun..." É hoje! É o show do Homem, da lenda viva, do véio louco... Iggy Pop e seus Stooges vão botar pra quebrar, não vai sobrar pedra sobre pedra... De brinde ainda tem Sonic Youth... 



Escrito por Cabral às 15h12
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Esse é o Al Pacino, um dos meus atores preferidos. Essa cena é do filme "Pagamento Final, com atuação inesquecível dele no papel de Carlito Brigante e direção igualmente brilhante do Brian de Palma - criador de clássicos como "Scarface", "Vestida para Matar" e "Os Intocáveis".  A seqüência final na estação de trem é de tirar o fôlego, alguns minutos que parecem uma eternidade. Da vasta galeria de personagens deste mestre da interpretação, vale citar  o Michael, da trilogia "Poderoso Chefão"; Tony Montana, de "Scarface"; Vincent hanna, de "Fogo Contra Fogo"; o Lefty, de "Donnie Brasco"; e o John Milton, do "Advogado do Diabo". Pacino é o cara, Coisa Finis!



Escrito por Cabral às 22h58
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Fiz uma seleção de 10 sons de primeira que não canso de ouvir, só coisa finis...

1 - Velvet Underground - New Age

2 - Luna - Rememories

3 - Galaxie 500 - Listen, the Snow is Falling

4 - Belle and Sebastian - I Know Where the Summer Goes

5 - Damon and Naomi - Little Red Record Co.

6 - Lou Reed - Perfect Day

7 - Raveonettes - Chain Gang of Love

8 - Johnny Cash - The Man Comes Around

9 - Neil Young - Like a Hurricane

10 - Grandaddy - The Crystal Lake



Escrito por Cabral às 22h24
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Essa é uma foto clássica do Iggy Pop, que no sabadão conferirei pessoalmente ao vivo e a cores no Festival Claro Que é Rock - de lambuja ainda tem Sonic Youth, Flaming Lips e Nine Inch Nails. Puta véio louco, creio que não teve ninguém que chegasse aos pés dele em cima de um palco. Não sei como deve ser agora, mas nos anos 60 e 70 o cara se cortava, enchia a cara, lambuzava carne crua pelo corpo, se jogava no chão, pulava em cima do povo na pista, chamava seguranças e platéia para o pau... Enfim, puta véio louco...



Escrito por Cabral às 17h54
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